Domingo, 26 de Abril de 2009

O que é?

A Deficiência Visual é um dano do Sistema Visual na sua globalidade ou parcialmente, podendo variar quanto às suas causas (traumatismo, doença, mal formação, deficiente nutrição) e/ou natureza (congénita, adquirida, hereditária) e traduz-se numa redução ou numa perda de capacidade para realizar tarefas visuais (ler, reconhecer rostos).

A deficiência visual engloba duas subcategorias?

Sim. Existe a cegueira e a amblíopia. Os cegos são aqueles cuja incapacidade os impede de ler, escrever, seja qual for o tamanho da letra. Já os amblíopes, mesmo tendo em conta o grau de severidade do problema, são capazes de ler desde que se efectuem modificações no tamanho das letras.

Quais os tipos de cegueira?

De um ponto de vista do desenvolvimento da pessoa com deficiência visual, a cegueira pode ser de três tipos:

- Congénita (surge até ao primeiro ano de idade);

-  Precoce (surge entre o primeiro e o terceiro ano de idade);

- Adquirida (surge após os três anos de idade);

Quais as consequências das duas situações extremas?

Na cegueira congénita, dada a ausência ou pouco referencial visual (imagem mental), a pessoa possui uma representação intelectualizada do ambiente (cores, perspectivas, volumes, relevos). Existe, pois, uma ausência do conceito visual. Na Cegueira adquirida, também designada cegueira tardia ou recente, a pessoa possui toda a riqueza do património visual anterior à cegueira. Existe representação de um objecto ou de um ambiente por analogia.

 

Quais os preconceitos que existem perante as pessoas com deficiência visual?

Em Portugal existe um grande número de pessoas com deficiência visual, contudo as pessoas ditas “normais” por vezes são muito preconceituosas perante estas pessoas. Com esta deficiência as pessoas são, na maior parte das vezes, rejeitadas, como por exemplo, a arranjar emprego. Como também relacionar-se com elas fazendo parte da vida delas. Na sociedade em que vivemos e na geração em que estamos, os indivíduos portadores desta doença são diariamente postos de lado em relação aos outros indivíduos.

Quais as limitações que existem perante estas pessoas?

Os indivíduos com esta incapacidade são, diariamente, confrontados com as limitações que a sociedade lhes coloca. Estas pessoas para fazerem uma vida normal e tranquila, nomeadamente na realização das tarefas diárias sem que necessitem da ajuda de outros, precisam de meios que as auxiliem. Contudo, isto, hoje em dia, ainda não é totalmente possível. Os cegos precisam de bastante ajuda. Tanto para atravessar uma passadeira, pois os semáforos não estão devidamente sonorizados, como para se dirigir a uma casa-de-banho pública, porque não existe uma tabuleta escrita em Braille, logo estas pessoas não sabem onde se dirigir. Um indivíduo que utilize o autocarro como meio de transporte, precisa de uma sonorização das várias paragens para se poder orientar. Isto, ainda hoje, não acontece em todos os meios de transporte, só apenas em alguns. As pessoas que possuem esta incapacidade, mesmo que queiram ser independentes nunca o conseguem totalmente, pois os recursos que a sociedade dispõe são mínimos. Atentemos no facto de um cego querer ir a um supermercado, como vai ele conseguir distinguir um pacote de bolachas de morango de um de chocolate se estes não estão escritos em Braille? O mesmo acontece com os cartazes informativos e as placas com os nomes das ruas. Hoje em dia já se pode encontrar produtos escritos em Braille em supermercados, cafés, etc. Mas, ainda não é encontrado em todos os estabelecimentos.

Estas pessoas, para além de terem esta incapacidade sensorial, são completamente normais, que precisam de ser lembradas na sociedade e não esquecidas, pois têm os mesmos direitos e deveres que todos nós.

Qual o sistema de leitura destas pessoas?

O Braille é o sistema de leitura com o tacto para cegos inventado pelo francês Louis Braille.

 

Qual a história do Braille? Quais as suas características? Quais os benefícios do Braille?

O sistema de leitura para cegos, conhecido como Braille, surgiu a partir de um sistema de leitura no escuro, desenvolvido por Charles Barbier, para uso militar. Quando o francês Louis Braille, que ficou cego aos três anos de idade, ingressou no instituto de cegos de Paris, conheceu o sistema e passou a utilizá-lo. Algum tempo depois, L. Braille modificou-o, passando de um grupo de 12 pontos para um grupo de apenas 6 pontos, formado por duas colunas com três pontos cada. Em 1829, publicou o seu método. O sistema Braille é um alfabeto convencional cujos caracteres se indicam por pontos em relevo. O deficiente visual distingue por meio do tacto. A partir dos seis pontos salientes, é possível fazer 63 combinações que podem representar letras simples e acentuadas, pontuações, algarismos, sinais algébricos e notas musicais. L. Braille morreu de tuberculose, em 1852, ano em que o seu método foi oficialmente adoptado na Europa e América. Uma grande curiosidade sobre os cegos experientes é que estes podem ler duzentas palavras por minuto. O cego enfrenta muitas dificuldades, pois dificilmente encontra outras pessoas que conheçam o sistema e, na maioria das vezes, os equipamentos, do sector, entre outros, não trazem as informações escritas em Braille. O sistema Braille ainda tem que ser difundido para que as pessoas cegas sejam realmente incluídas na sociedade e possam ter maior autonomia, o que trará uma força muito maior de viver para cada uma delas apesar da sua deficiência.
Os caracteres são lidos da esquerda para a direita e até sinais de pontuação são representados através dos pontinhos
em alto-relevo. Apesar da sua eficiência em proporcionar o acesso das pessoas cegas a informações, leitura, estudo, etc. o sistema não conseguiu ainda progredir e atingir todos os meios da sociedade. Sendo assim, para escrever é necessário um pouco mais de técnica. São utilizados dois instrumentos chamados reglete e o punção. A reglete é uma placa de metal com orifícios em uma de suas faces. O papel, um pouco mais grosso que o comum, é colocado em cima dessa placa e pressionado com o punção, um instrumento semelhante a uma agulha, mas com a extremidade arredondada, para que, ao pressionar o papel contra os orifícios da reglete, este não seja perfurado, e sim apenas marcado. O papel é marcado da direita para a esquerda, no sentido contrário ao da escrita. Ao terminar o papel é virado e pode-se ler normalmente. Actualmente há até alguns que conseguem imprimir páginas em frente e verso, reconhecer voz e transformá-la em Braille, entre outros recursos que facilitam o acesso de cegos à informática. Há também capas para teclado com as teclas em Braille. Estas encaixam-se no teclado de modo a que o cego possa digitar normalmente. Há ainda outros equipamentos como brinquedos de montar, relógios que permitem a verificação das horas por meio do tacto, etc. Há outros equipamentos que não utilizam o Braille e sim o som, para que os cegos possam ter melhor acesso. Muitos sites, computadores, sistemas em locais públicos, etc., já fazem uso desse método.

 

 

 


 

Publicado por Grupo 3 às 14:43